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Boletim Climático

Publicado em 12/12/2017

Resumo

Os padrões de temperatura da superfície do mar, para o trimestre Dezembro de 2017 e Janeiro/Fevereiro de 2018 (DJF/2018), dos modelos numéricos de previsão climática analisados durante à reunião climática do Grupo de Trabalho (GT) de previsão climática sazonal indicam o reforço das anomalias negativas (valores abaixo da média histórica) sobre o Pacífico Equatorial Leste. A previsão da ocorrência de do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) indica que a maior probabilidade (70%) é de que ocorra um episódio La Niña durante o correr do trimestre (DJF/2018). Esta situação deve permanecer até o trimestre Janeiro/Fevereiro/Março de 2018 (JFM/2018), com maior probabilidade de situação de neutralidade a partir do trimestre seguinte Fevereiro/Março/Abril de 2018 (FMA/2018).

1. Sumário: Fenômeno La Niña poderá evoluir no verão 2016/2017

Os modelos de previsão do ENOS indicam que o fenômeno La Niña atingirá sua maturação no auge do verão 2017/2018. Adjacente à costa oeste da América do Sul, houve expansão das anomalias negativas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM), com valores que chegaram a -2°C nas últimas quatro semanas. O aumento da área de resfriamento anômalo na faixa equatorial do Pacífico Leste foi igualmente notado nas camadas subsuperficiais ao longo da faixa equatorial deste oceano. Já para o Atlântico Tropical Norte, as anomalias positivas de TSM podem contribuir para a atuação da Zona de Convergência Intertropical ao norte de sua posição climatológica nos meses subsequentes (Figuras 1 e 2).

  

Figura 1 – Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na costa do Pacífico, Novembro de 2017. Fonte: NCEP/NOAA – EUA.

Figura 2 - Anomalia Mensal de TSM na costa do Pacífico, Novembro de 2017. Fonte: NCEP/NOAA – EUA.

O mês de Outubro foi caracterizado pela ausência de episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Região Sul apresentou acumulados de precipitação acima da média histórica, destacaram-se os acumulados mensais no Paraná (Foz do Iguaçu: 455 mm; e Planalto: 426,4 mm) e em Santa Catarina (Dionísio Cerqueira: 450,2 mm). A formação do primeiro episódio de ZCAS, de curta duração, no decorrer da primeira quinzena de novembro, não mudou a situação para o acumulado de precipitação histórica da Região Sul. Porém, a persistência de uma condição de bloqueio atmosférico nas latitudes extratropicais do Atlântico Sul contribuiu para uma distribuição irregular destas chuvas sobre a Região Sul do Brasil durante o mês de Novembro de 2017. 

A previsão climática por consenso para o trimestre DJF/2018, baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e nos prognósticos de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria dentro da faixa normal climatológica para a Região Sul, porém com distribuições distintas para as categorias acima e abaixo da faixa normal climatológica nas partes norte (35%, 40% e 25%) e sul (25%, 40% e 35%) da Região, respectivamente. Ressalta-se que a ocorrência de uma condição de La Niña no verão 2017/2018, com fraca intensidade e curta duração, como previsto pela maioria dos modelos acoplados oceano-atmosfera, aumenta a possibilidade de grande variabilidade temporal e espacial das chuvas no decorrer do referido trimestre. Com relação às temperaturas, para o trimestre DJF/2018, são previstas temperaturas dentro da normal climatológica na Região Sul do Brasil.

2. Precipitação, temperaturas máximas e mínimas

Na Região Sul, os sistemas frontais avançam mais rapidamente e os maiores totais, entre 500 mm e 700 mm, tendem a ocorrer do Paraná, Santa Catarina e Norte/Noroeste/Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, enquanto que, no Sul/Sudoeste/Sudeste deste último Estado, serão inferiores a 400 mm (Figura 3).

Figura 3 - Precipitações médias do trimestre Dezembro de 2017 e Janeiro/Fevereiro de 2018 (mm).

Na Região Sul, as temperaturas máximas podem variar entre 22ºC e 34ºC (Figura 4). 

Figura 4 - Temperaturas máximas no período de Dezembro de 2017 e Janeiro/Fevereiro de 2018 (ºCelsius).

Os menores valores de temperatura, em torno de 12ºC, são esperados sobre as áreas serranas da Região Sul  (Figura 5).

Figura 5 - Temperaturas mínimas no período de Dezembro de 2017 e Janeiro/Fevereiro de 2018 (ºCelsius).

3. Estoque de Água no Solo

Na Região Sul, o estoque de água do solo varia de 70 a 80 % nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Norte/ Noroeste/Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, enquanto que, no Sul/Sudoeste/Sudeste deste Estado, o estoque de água está na faixa dos 60% (Figura 6).

 

Figura 6 – Disponibilidade de água nos solos.

Nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2018, os índices de chuva tendem a se manter dentro da média pluviométrica normal, mantendo a água disponível no solo em índices semelhantes aos atuais. Vale ressaltar que, em função da possibilidade de ocorrência de fenômeno La Niña de fraca intensidade, podem ocorrer variações temporais da disponibilidade de água no solo em função da distribuição irregular das precipitações ao longo do período.

4. Manejo do Solo

A Região Sul apresenta condição desfavorável de manejo do solo em quase todo seu território. O Sul/Sudoeste/Sudeste do Estado do Rio Grande do Sul apresenta condição razoável em função da umidade do solo. Vale ressaltar a necessidade de cuidados especiais com o tipo de manejo a aplicar nas regiões com solos com maiores teores de argila, em função da maior capacidade de estoque de água e plasticidade destes (Figura 7).

 

Figura 7 – Condições de manejo do solo.

Nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2018, há possibilidade de manutenção nas condições de manejo do solo em toda a Região Sul, em função da manutenção das precipitações dentro da média pluviométrica normal e do estoque de água no solo. Além disto, cabe ressaltar a possibilidade de ocorrer irregularidade na distribuição temporal das precipitações, o que pode ocasionar, também, variação temporal no estoque de água do solo ao longo do período.

5. Estiagem Agrícola

Para a Região Sul, os Estados do Paraná e Santa Catarina e Norte/Noroeste/Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul a probabilidade de estiagem agrícola está entre 10 e 15 dias, enquanto que, para o Sul/Sudoeste/Sudeste deste Estado, pode variar entre 20 e 30 dias (Figura 8).

Figura 8 – Estiagem agrícola.

Nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2018 existem indicações de que as ocorrências de chuvas se manterão dentro da média climatológica normal na Região Sul, com a possibilidade de que as chuvas sejam mal distribuídas ao longo do período, o que aumenta a possibilidade de períodos de estiagem agrícola em toda a região, principalmente no Sul/Sudoeste/Sudeste do Rio Grande do Sul.

6. Necessidade de Irrigação

Segundo as observações, não há a necessidade de irrigação nos três Estados do Sul do Brasil, mas com necessidade de atenção para a umidade no solo na região Sul/Sudoeste/Sudeste do Estado do Rio Grande do Sul (Figura 9). 

Figura 9 – Necessidade de irrigação.

A previsão por consenso indica a manutenção das precipitações dentro da média climatológica normal da Região Sul durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 2018. Vale ressaltar, a necessidade de atenção em função da possibilidade de irregularidade na distribuição temporal das precipitações, o que pode ocasionar variação temporal no estoque de água do solo e ocasionar a necessidade de irrigação.

José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia
CREA – RS 101995