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Boletim Climático

Publicado em 10/05/2018

Resumo

Os padrões de temperatura da superfície do mar (TSM) para o trimestre Maio/Junho/Julho de 2018 (MJJ/2018), observados nos modelos numéricos de previsão climática, indicam que o aquecimento anômalo no setor leste do Pacífico Equatorial diminuiu na última semana de abril para valores próximas de zero, o que indica o decaimento acentuado do fenômeno La Niña ao longo do Pacífico Equatorial, caracterizando uma fase neutra do fenômeno El Niño - Oscilação Sul (ENOS).

1. Sumário: Fim do fenômeno LA NIÑA no pacífico equatorial

A análise do padrão atual da anomalia de TSM mostra um padrão persistente no Pacífico Tropical, com anomalias negativas no Pacifico Equatorial Central e Oeste, circundadas por anomalias positivas no Pacífico Tropical Norte e Sul, além do Pacífico Equatorial Leste, durante o mês de abril, com índices medidos com valores entre 0,5ºC e -0,5ºC. A análise probabilística de ocorrência de episódios ENOS, baseada nestes padrões de TSM dos modelos numéricos de previsão climática sazonal, indica uma fase neutra do fenômeno durante o trimestre MJJ/2018 (Figuras 1 e 2).  

Figura 1 – Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na costa do Pacífico, Abril de 2018. Fonte: NCEP/NOAA – EUA.

Figura 2 - Anomalia Mensal de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na costa do Pacífico, Abril de 2018. Fonte: NCEP/NOAA – EUA.

No mês de Abril, as condições oceânicas e atmosféricas mostraram sinais de decaimento do fenômeno La Niña ao longo do Pacífico Equatorial, principalmente na última semana. Não obstante, os ventos alísios apresentaram-se anomalamente intensos e as águas superficiais mais frias que o normal na parte central deste oceano. Na região do Atlântico Equatorial, os valores de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) próximos à climatologia e forçantes anômalas de grande escala favoreceram a atuação mais ao norte da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). O período foi marcado pela atuação da ZCIT ao norte de sua posição climatológica e com fraca atividade convectiva. Este padrão resultou em acentuado déficit pluviométrico na Região Sul, com chuvas abaixo da média. 

A previsão climática por consenso para o trimestre MJJ/2018 na Região Sul, baseada nos diagnósticos das condições oceânicas e atmosféricas globais e nos prognósticos de modelos dinâmicos e estocásticos de previsão climática sazonal, indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer nas categorias dentro da faixa normal climatológica no sul da Região Sul, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para este trimestre, as temperaturas são previstas dentro da normal climatológica em todo o País, com a alternância de períodos mais frios e mais quentes, característicos da estação de outono.

2. Precipitação, temperaturas máximas e mínimas:

Para a Região Sul são esperados totais de precipitação dentro da normal climatológica para o trimestre podendo, porém, com grande variação espacial e temporal. O acumulado de chuvas pode variar de 200 mm no Norte do Paraná a 500 mm no interior do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Figura 3).

Figura 3 - Precipitações médias do trimestre MJJ/2018 (mm).

A entrada de massas de ar frio aumenta no início deste trimestre, favorecendo declínios significativos de temperatura e ocorrência de geadas, principalmente nas regiões serranas, onde as temperaturas mínimas podem ser inferiores a 6ºC. As temperaturas máximas tornam-se mais amenas, variando entre 20ºC e 24ºC na Região Sul (Figuras 4 e 5).

Figura 4 - Temperaturas máximas no período de MJJ/2018 (ºCelsius).

Figura 5 - Temperaturas mínimas no período de MJJ/2018 (ºCelsius).

3. Estoque de Água no Solo

Na Região Sul, no trimestre de MJJ/2018, o estoque de água do solo poderá variar entre 50 a 80%, em função das precipitações do período (Figura 6).

Figura 6 – Disponibilidade de água nos solos.

Para os meses de Junho e Julho de 2018, os índices de chuva tendem a ficar dentro da média pluviométrica normal, mantendo a água disponível no solo em índices semelhantes aos atuais.

4. Manejo do Solo

Na Região Sul, no trimestre de MJJ/2018, as condições de manejo do solo serão entre favoráveis, no Norte-Nordeste do Paraná e Nordeste de Santa Catarina, razoáveis, no Centro do Paraná, Santa Catarina e no Sul do Rio Grande do Sul, e desfavorável, no Sul do Paraná, Oeste de Santa Catarina e Noroeste-Norte-Nordeste do Rio Grande do Sul. Vale ressaltar a necessidade de cuidados especiais com o tipo de manejo a aplicar nas regiões com solos com maiores teores de argila, em função da sua maior capacidade de estoque de água e plasticidade (Figura 7).

 

Figura 7 – Condições de manejo do solo.

Para os meses de Junho e Julho de 2018, existe a possibilidade de manutenção nas condições de manejo do solo em toda a Região Sul, em função dos índices de chuva, que devem se manter dentro da média pluviométrica normal.

5. Estiagem Agrícola

Na Região Sul, no trimestre de MJJ/2018, a probabilidade de estiagem agrícola está entre 05 e 20 dias (Figura 8).

Figura 8 – Estiagem agrícola.

Para os meses de Junho e Julho de 2018, existem indicações de que as ocorrências de precipitações se manterão dentro da média climatológica normal na Região Sul, o que diminui a probabilidade de ocorrência de estiagem agrícola.

6. Necessidade de Irrigação

Segundo as observações, não há a necessidade de irrigação nos três Estados do Sul do Brasil (Figura 9).

Figura 9 – Necessidade de irrigação.

Existem indicações de que as precipitações se manterão dentro da média climatológica normal da Região Sul durante os meses de Junho e Julho de 2018, o que diminui a necessidade de irrigação.

 

José Luis da Silva Nunes

Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia

CREA – RS 101995