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Refloresramento - Visão estratégica do negócio

09.02.2018
O plantio de espécies florestais, em especial o eucalipto, é a alternativa segura para os produtores de tabaco, a fim de garantir o abastecimento das estufas sem que precisem abrir mão de parte do seu orçamento na compra de lenha de terceiros. O Engenheiro Florestal Jorge Antonio Farias, Professor do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que com um bom planejamento é possível, na grande maioria das propriedades rurais,  pantar árvores e chegar a autossuficiência da produção. “A floresta do fumicultor, se bem manejada, pode fornecer toda a lenha que ele precisa, tanto para a cura do tabaco, como para a manutenção de cercas e reformas de benfeitorias e, ainda, para complementar sua renda com a venda da lenha para serrarias”. É um investimento seguro e muito rentável.
Um produtor que optar em plantar 1 hectare de floresta, em 7 anos pode ter um ganho de 40% a mais que o mesmo valor aplicado na poupança”. Segundo Farias, a fumicultura vem investindo há mais de 40 anos no incentivo do plantio de  espécies de rápido crescimento, especialmente o Eucalipto. Esse esforço trouxe como resultado o consumo total de lenha legal na cura do tabaco, isto é, lenha obtida quase que exclusivamente de florestas reflorestadas. Para continuar crescendo, 
preciso realizar o que tecnicamente se chama de reforma da floresta, ou seja, após sucessivos cortes (recomenda-se no máximo 3 cortes) o número de tocos que brotam diminui significativamente e o resultado disso é baixa produção de lenha por hectare. Portanto, os produtores não devem pensar que as suas florestas continuarão existindo após sucessivos cortes. Basta contabilizar quantos tocos brotaram para verificar que o número de plantas por hectare é menor”, explica o  professor. Assim, em especial às pequenas propriedades rurais, recomenda-se que, após o terceiro corte da mata de eucalipto, o produtor deve suprimir as brotações dos tocos que sobraram e na mesma área efetuar um novo reflorestamento. Para ele, a alternativa é procurar assistência técnica a fim de obter orientação de quais são as melhores espécies florestais para geração de energia, considerando a especificidade de cada região, o espaçamento, entre outros (vide tabela). “A área destinada às florestas deve produzir muita lenha, renda e segurança para o produtor”, sinaliza.
Para o novo reflorestamento, Farias recomenda  especial atenção quanto ao espaçamento do plantio. “Atualmente, as mudas que estão disponíveis para plantio são de crescimento rápido e tendem a se aproximar uma das outras mais cedo. Se não há espaço para esse crescimento, o resultado são árvores mais finas, além de mortalidade das plantas, um prejuízo para o agricultor. Desta forma, os produtores devem selecionar as variedades com maior densidade conforme sua região e seguir o
espaçamento orientado na tabela para garantir o pleno desenvolvimento das plantas”.